Publicado em: 23 de julho de 2026

Chile e EUA dão novo passo rumo à exploração de minerais críticos

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Resumo Executivo

Em 20 de abril de 2026, Chile e Estados Unidos assinaram um memorando de entendimento para aprofundar a cooperação bilateral na exploração, processamento e reciclagem de minerais críticos — cobre, lítio, cobalto e terras raras. O acordo não é vinculante, mas consolida uma aproximação estratégica iniciada em março, com potencial de reposicionar o Chile na cadeia global de suprimentos de insumos essenciais à transição energética e à indústria de defesa.

O que você encontrará neste artigo:

  • Escopo e natureza jurídica do memorando de entendimento
  • Áreas de cooperação previstas entre os dois países
  • Contexto do setor de lítio e mineração crítica no Chile
  • Implicações para Relações Governamentais na América do Sul

Tempo de leitura: 4 minutos

Introdução

Chile e Estados Unidos assinaram, em 20 de abril de 2026, um memorando de entendimento destinado a explorar de forma conjunta minerais críticos como cobre, lítio e terras raras, insumos fundamentais para a fabricação de tecnologia de ponta, veículos elétricos e sistemas de defesa. O documento formaliza um processo de aproximação bilateral iniciado poucas semanas antes e evidencia o interesse crescente de Washington em diversificar suas fontes de abastecimento mineral estratégico, reduzindo a dependência de fornecedores concentrados, notadamente a China.

O Acordo Firmado em Abril de 2026

Natureza do Memorando

Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Chile, o memorando assinado constitui “mais um passo rumo a um acordo bilateral” no tema de minerais críticos. A chancelaria chilena foi explícita quanto à natureza do instrumento: não se trata de um tratado nem de um acordo vinculante, mas de um marco de cooperação que permite identificar oportunidades, facilitar investimentos e promover melhores práticas, organizando uma agenda concreta em âmbitos como financiamento, inovação e desenvolvimento produtivo. O Chile mantém soberania total sobre seus recursos minerais, e os processos ambientais internos seguem seu próprio ritmo, não sendo alterados pelo memorando.

O acordo de abril é o segundo pacto firmado entre os dois países em menos de dois meses: em março, o vice-secretário de Estado dos EUA e o chanceler chileno já haviam assinado uma declaração conjunta dando início formal às discussões sobre terras raras e minerais críticos, seguida de uma primeira rodada de coordenação técnica entre as partes.

Áreas de Cooperação Previstas

O memorando estabelece quatro frentes principais de atuação conjunta:

  • Financiamento compartilhado para projetos de mineração, com participação potencial de instituições financeiras de desenvolvimento dos EUA
  • Reciclagem e gestão de sucata eletrônica e industrial para recuperação de minerais críticos
  • Exploração de novas jazidas de terras raras e lítio, ampliando o mapeamento geológico existente
  • Intercâmbio técnico voltado à capacitação em processos de refino

O Contexto do Setor de Lítio no Chile

O memorando ocorre em um momento de reorganização estratégica do setor mineral chileno. O Chile é o segundo maior produtor mundial de lítio, atrás apenas da Austrália. Desde 2023, o governo do presidente Gabriel Boric implementa a Estratégia Nacional do Lítio, que posiciona o Estado como ator central na extração do mineral, ao mesmo tempo em que busca atrair investimento privado. O Ministério da Fazenda chileno já sinalizou a possibilidade de aumento expressivo na extração de lítio até 2030, embora o Ministério da Mineração ainda não tenha fixado metas oficiais.

Nesse cenário, uma parceria entre a estatal Codelco e a empresa privada SQM recebeu aprovação regulatória para ampliar significativamente a extração de lítio, com planos de expansão de longo prazo. Paralelamente, o governo chileno criou lotes de exploração em diversas salinas do país e conduz consultas prévias a populações indígenas em áreas de interesse minerário. Em janeiro de 2026, foi inaugurado o Instituto Nacional de Lítio e Salinas (Ilisa), com a missão de garantir o desenvolvimento sustentável dos recursos de lítio e das salinas chilenas.

Questões ambientais permanecem no centro do debate público: relatórios técnicos apontam impactos da extração de lítio por salmoura sobre ecossistemas nativos e disponibilidade de água doce nas regiões afetadas, temas que seguem sensíveis no debate regulatório chileno.

Comentário Especializado e Conclusão

O memorando Chile-EUA deve ser lido dentro de uma estratégia americana mais ampla de recomposição de cadeias de suprimento de minerais críticos na América do Sul, movimento que também se manifesta, de forma mais assimétrica, no Brasil, onde Washington negocia em paralelo um acordo bilateral sobre o tema. A comparação entre os dois casos é instrutiva: enquanto o Chile avança com relativa fluidez, amparado por instituições consolidadas de governança mineral e por uma política nacional já madura desde 2023, o processo brasileiro enfrenta maior reticência governamental e reflete disputas internas entre interesses econômicos e políticos.

Para organizações que atuam ou pretendem atuar no setor mineral, energético ou de tecnologia na região, esse movimento sinaliza uma janela concreta de interlocução institucional com governos que buscam atrair capital estrangeiro sem abrir mão de soberania regulatória — o que exige mapeamento cuidadoso de instâncias decisórias, desde ministérios setoriais até agências ambientais e consultas indígenas. O paralelismo com acordos recentes entre outros blocos econômicos e os Estados Unidos sobre minerais críticos indica que a competição geopolítica por esses insumos deve se intensificar, ampliando a pressão sobre governos sul-americanos para definir posicionamentos claros diante de múltiplos interessados.

Em síntese, o memorando de abril de 2026 formaliza uma aproximação que já vinha se desenhando desde março, sem criar obrigações vinculantes, mas estabelecendo um canal institucional robusto para financiamento, inovação e desenvolvimento produtivo entre Chile e Estados Unidos. Para o ecossistema de Relações Governamentais na América do Sul, o episódio reforça a necessidade de acompanhamento próximo das políticas minerais nacionais, das dinâmicas regulatórias ambientais e do posicionamento de cada país frente à disputa global por minerais estratégicos.


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Fonte Notícia

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